Fernanda Bompan - 05/04/2010
SÃO PAULO - Muitos empresários brasileiros estão
desgostosos com o regime tributário Simples Nacional. Na semana
passada, a Federação do Comércio de Bens, Serviços
e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio) realizou
debate com a presença de representantes de outras organizações
e integrantes do governo que pedem mudanças no modelo tributário.
As propostas principais abrangem a inclusão, no Simples, de
tributos como o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o Programa
de Integração Social (PIS) e a Contribuição
para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), como também
a possibilidade de parcelamento dos débitos do programa, que
ocorre em outros impostos.
Para o vice-presidente da Fecomércio e presidente do Conselho
Estadual de Defesa do Contribuinte (Codecon), Márcio da Costa,
reduzir a carga tributária de todos os setores e a burocracia
do sistema são pontos essenciais para o crescimento econômico,
sobretudo para a operação de micro e pequenas empresas.
"A geração de empregos, renda e riquezas para a
população geral está ligada à atividade
do empreendedor e às empresas de pequeno porte, mas a complexidade
do sistema tributário estrangula essas iniciativas", disse.
"Não entendo, por exemplo, por que não é
possível parcelar as cobranças relacionas ao Simples",
reclama o coordenador do comitê temático da Desoneração
e Desburocratização do Fórum Permanente da Micro
e Pequena Empresa da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), Marcos
Leite. Ele também critica o Simples por não abranger
certos tributos como o IPI, Pis e Confins.
O advogado do Emerenciano, Baggio e Associados - Advogados, Felippe
Alexandre Ramos Breda,
concorda com a afirmação que a burocracia é
o que mais emperra o desenvolvimento de muitas empresas. "De
simples o sistema não tem nada. Há muitas regras que
são proibitivas ao Simples, porque como já há
redução de impostos, o governo acredita que outros benefícios,
já aplicados ao sistema comum, não podem ser usados
no Simples", disse.
Ele ressalta que no caso dos créditos obtidos em tributos
como IPI, PIS e Cofins poderiam ser existentes neste sistema. "Uma
pequena empresa, por exemplo, cujos consumidores são indústrias,
irá perder negócios, pois esses clientes, não
recebendo crédito tributário por estar comercializando
com uma inclusa ao Simples, migrarão para as empresas que aderiram
ao lucro real", explica Breda. "Da mesma forma, o Refis
da crise beneficiou somente as grandes empresas. Só estas poderiam
parcelar. Mas por que tratar os iguais como desiguais e os desiguais
como iguais, achando que somente a redução de impostos
ajuda ao progresso de uma empresa", questiona.
O especialista de Direito Tributário, Atila Melo, do escritório
Moreau & Balera Advogados, afirma que há necessidade de
algumas mudanças, mas mesmo assim ainda é um sistema
benéfico. "A adesão ou não vai depender
do planejamento financeiro da empresa e aceitar o fato de que nem
todos os tributos estão inclusos no Simples, sendo recolhidos
à parte", analisa.
Melo lembra que muitos setores reivindicam a entrada no regime tributário.
"Provavelmente pela luta de entidades de classe, foram incluídas
áreas anteriormente impedidas, como escritórios contábeis
e academias de atividade física. Aquelas não permitidas
podem fazer o mesmo."
Alíquota única
Outra proposta amplamente defendida foi a adoção de
uma alíquota única para a cobrança do Simples.
"A criação da alíquota única é
uma questão política, já que abrange a competência
legal de cada Estado e município, e complicada, no sentido
que gera uma unificação de tributos", entende Felippe
Breda.
O secretário executivo do Comitê Gestor do Simples Nacional,
Silas Santiago, também afirmou que a legislação
é complexa, mas explicou que esse problema está ligado
às diferenciações que necessitam ser feitas entre
os vários grupos de atividade que aderem ao Simples. "Eu
gostaria de uma alíquota única mas, quando criamos o
programa, cada setor apresentou suas próprias reivindicações
e os empresários acabaram se posicionando contra esta medida",
relembrou.
Para o representante dos estados na secretaria executiva do Comitê
Gestor do Simples Nacional, Alfredo Portinari, a desoneração
fiscal de certas áreas aumenta a arrecadação,
mas deixa o Estado sem força para pressionar as empresas a
realizar mudanças que devem ser implementadas.
Prazo
O prazo para a entrega da Declaração Anual do Simples
Nacional (DASN) 2010, relativo a 2009, foi prorrogado para o próximo
dia 15. O Comitê Gestor do Simples Nacional informou que o motivo
da nova data foi devido a problemas operacionais do Serviço
Nacional de Processamento de Dados (Serpro). A Receita Federal espera
a entrega de 3 milhões de declarações. "Isso
mostra como ainda o Simples é importante", avalia Atila
Melo.
Representantes do setor produtivo brasileiro começaram uma
campanha para mudanças nas regras do Simples Nacional, como
inclusão do IPI e da Cofins no regime, e também a cobrança
de uma alíquota única.
Fonte:
DCI – SP
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